O Império contra a Europa
A Europa de 1803 é um continente de monarquias e exércitos profissionais que acabou de sair de dez anos de guerra. Na França, a Revolução deu lugar ao Consulado: Napoleão Bonaparte governa com poderes quase absolutos, reorganizou o Estado e o Exército e domina a Itália, a Bélgica, a Holanda e a margem esquerda do Reno. A Grã-Bretanha, senhora dos mares, rompe a paz de Amiens e declara guerra em maio. Áustria, Prússia e Rússia observam e hesitam entre medo, rivalidade e ambição. Espanha e Portugal são peças disputadas, os Estados alemães e italianos se dividem entre dependência e resistência, e o Império Otomano tenta sobreviver entre vizinhos poderosos. Os exércitos são grandes, rápidos e baseados na requisição de alimentos; os marechais são soldados talentosos, rivais entre si, e as monarquias aliadas dependem de dinheiro britânico e de coalizões frágeis. As notícias viajam a cavalo, as ordens chegam tarde e a guerra é decidida por estradas, rios, fortalezas, suprimento e reputações políticas. O mapa usa fronteiras atuais, mas as soberanias e os nomes devem refletir a Europa napoleônica.
A paz de Amiens chegou ao fim. Napoleão Bonaparte, Primeiro Cônsul da França e prestes a se tornar imperador, enfrenta de novo a Grã-Bretanha e, logo, as grandes monarquias do continente. Exércitos de milhares de homens marcham por estradas e rios, frotas disputam os mares e cada decisão de um marechal, de um ministro ou de um soldado pode mudar o destino de uma nação.
MARCHA E COMUNICAÇÃO. Ordens e notícias viajam à velocidade de um cavalo ou de um navio: de Paris a Viena leva cerca de duas semanas, de Londres ao Mediterrâneo, mais de um mês. Ninguém age com informação atual; cada comandante decide com o que realmente viu, ouviu ou recebeu. SUPRIMENTO. Os exércitos franceses vivem em grande parte da requisição no território por onde passam, o que os torna rápidos, mas odiados pela população local. Os exércitos aliados dependem de depósitos e comboios e perdem prontidão a cada semana longe do reabastecimento. Inverno, lama e epidemias desgastam qualquer exército em marcha prolongada. BATALHA. O resultado depende de número, disciplina, comando, terreno, moral e suprimento. Um bom comandante concentra suas forças no ponto decisivo; um mau comandante divide-as e é derrotado em detalhe. Uma derrota decisiva dispersa o exército perdedor, que leva semanas para se reorganizar fora do alcance do inimigo. FORTALEZAS E TERRITÓRIO. Uma praça-forte só cai por brecha, cerco prolongado, fome, rendição negociada ou traição. Um território só muda de dono depois que o exército de campo local é derrotado e a capital ou a principal fortaleza é tomada. Ocupação não garante lealdade: população hostil, guerrilha e requisições excessivas podem reverter o controle. PODER NAVAL. A marinha britânica domina o Atlântico e o Canal da Mancha. Ela bloqueia portos, escolta comboios e apoia desembarques, mas não conquista território sozinha. A marinha francesa e as aliadas só operam bem perto de portos seguros e raramente enfrentam a britânica de frente. COALIZÃO E DIPLOMACIA. Coalizões são frágeis: cada potência quer ganhar para si, desconfia dos aliados e pode negociar paz separada se achar que a guerra está perdida. O dinheiro britânico mantém aliados em campo, e uma ameaça direta às fronteiras de um membro o prende à causa comum. Tratados exigem emissários com credenciais, tempo de viagem e aceitação do governo que representam, e só valem para o que o signatário realmente controla. POLÍTICA INTERNA. Cada governo precisa de dinheiro, tropas e apoio das elites. Derrotas, impostos pesados e bloqueios geram descontentamento, conspirações e revoltas; vitórias, saques e glória sustentam o governante. Um líder impopular precisa de resultados rápidos ou será desafiado.